Revista:Plenitude
Jornalista: Fernando Damasceno
Psicóloga Clínica e Psicanalista: Jaqueline Ferreira
SOBRE CIÚME PATOLÓGICO
Revista Plenitude: Todas as pessoas sentem necessariamente ciúme da pessoa amada?
Jaqueline Ferreira: ''Sim, em princípio todos que amam sentem medo de perder a condição de pertencer ao Outro e de NÃO ter o Outro, e o ciume é um sentimento da ordem da insegurança e insegurança está no campo de quem ama, pois quem ama, não quer perder seu objeto amado, senão ficará "solto", desenlaçado, e o ser humano traz em sua construção psíquica,em sua subjetividade a informação cultural de que precisa de uma outra parte para dar conta de [seu desamparo] e ao encontrar esta outra parte, sentem-se mais seguros ou menos inseguros e pensar em perde-la leva o sujeito a se colocar na condição de frágil. Veja que frágil é uma condição humana, já que, ao termos um objeto (uma pessoa)a quem amar, sentimos insegurança e consequentemente ficamos ciumentos e NÃO encontrar a quem amar também remete a insegurança.De qualquer maneira, qualquer que seja o lado no qual o sujeito esteja, ele se sentirá frágil, e amedrontado: se sozinho, sem sua parte da laranja; se amando, sente insegurança e medo de perder sua parte da laranja! ou seja:de fato o sujeito ainda não encontrou nada, continuou no mesmo lugar de ''busca dor''...
RP: Amor e ciúme andam juntos?
JF: Sim, o amor nos coloca num lugar de inseguros, já que não queremos perder a quem amamos e temos a consciência de que não temos, efetivamente, como impedir que algum infortúnio nos "roube" este amor, por isso assistimos tantos parceiros "engordarem" o seu conjuge levando-lhe diariamente doces, frituras e, vemos tantos parceiros passarem "de repente" a interditar saídas a praias, boates , idas a casa de amigas(os), idas a jogos, assistimos famílias serem fragmentadas por que um parceiro impede a ida do outro até a casa de pais, ex-enteados etc
RP: Seria o ciúme sinal de baixa auto-estima?
JF: Penso que não, mesmo o sujeito que tem boa auto estima fica inseguro diante do fantasma de perder a quem ama, fazer análise -é também- uma boa decisão para quem ama , pois colaborará para que este ciúme, esta inseguança não se tranforme numa obssessão, numa insegurança patológica, em que se transforma alianças em algemas,em que se transforma a saúde de um encontro de amor, em um desencontro doentio, patológico. Não quero perder de vista o número de pessoas que fazem ou nunca fizeram análise, que amam e dizem "não ter ciúme",dizem "entender" a profissão do parceiro quando este é stripper, ator, modelo, surfista etc, devemos compreender que existem muitas possibilidades de relação no encontro dos seres humanos, mas me reporto aqui a um número grande de pessoas que de fato são bastante possessivos com quem ama,na maioria das vezs asfixiando e "matando" simbolicamente, e as vezes factualmente, seus parceiros.
RP: Quando o ciúme deixa de ser "normal" para se tornar patológico?
JF: Quando o sujeito (homem ou mulher) deixa de focar sua própria existência e condições importantes para bem administrar seu dia a dia e passa a viver com o pensamento "preso" no outro, deixando de cuidar de sua vida para vigiar o outro, ficar perseguido pelo fantasma de que será traido, jogando pegadinhas para o outro "cair", perceber que quando você precisa controlar o outro e sua agenda, as coisas estão complicando;o ciúme fica patológico quando a pessoa que ama passa a acreditar que não pode viver sem o outro, fazendo juras de suicídio "se voce morrer, eu me mato", pois esta jura rapidamente pode virar uam ameça de homicídio:"se voce me deixar, eu te mato"; o ciume fica patológico quando numa época como a que vivemos em que se estimula a individualidade, um sujeito começa a ditar regras de conduta para o outro:não beba, não saia, não use estas roupa,voce não vai para este ou aquele lugar sem mim etc
RP: É possível "tratar" o ciúme?
JF: Plenamente, a psicanálise não utiliza o termo cura, mas utiliza o termo tratamento, então há tratamento sim, e o sujeito tem que ter paciencia pois a insegurança que se instala por e pelo Outro, não acontece de um dia para o outro, então o tratamento não será em dias ou meses, trata-se de um tratamento em que o sujeito vai se rever, se reencontrar, pois deve ter se perdido de si, já que precisou colar no Outro para existir, então que o sujeito respire fundo, encha os pulmões de um bom ar, e vá procurar um psicanalista em quem ele possa confiar, transferir sentimentos e rever sua história para pelo menos uma vez por semana durante o tempo suficiente em que ele possa perceber que estar com ele, num ambiente "dele" , o ambiente analítico, aonde ele vai poder falar, ouvir o que diz e começar a se comprometer com o seu discurso e atos, construindo uma possibilidade de existir com o Outro e não pelo Outro.
Jornalista: Fernando Damasceno
Psicóloga Clínica e Psicanalista: Jaqueline Ferreira
SOBRE CIÚME PATOLÓGICO
Revista Plenitude: Todas as pessoas sentem necessariamente ciúme da pessoa amada?
Jaqueline Ferreira: ''Sim, em princípio todos que amam sentem medo de perder a condição de pertencer ao Outro e de NÃO ter o Outro, e o ciume é um sentimento da ordem da insegurança e insegurança está no campo de quem ama, pois quem ama, não quer perder seu objeto amado, senão ficará "solto", desenlaçado, e o ser humano traz em sua construção psíquica,em sua subjetividade a informação cultural de que precisa de uma outra parte para dar conta de [seu desamparo] e ao encontrar esta outra parte, sentem-se mais seguros ou menos inseguros e pensar em perde-la leva o sujeito a se colocar na condição de frágil. Veja que frágil é uma condição humana, já que, ao termos um objeto (uma pessoa)a quem amar, sentimos insegurança e consequentemente ficamos ciumentos e NÃO encontrar a quem amar também remete a insegurança.De qualquer maneira, qualquer que seja o lado no qual o sujeito esteja, ele se sentirá frágil, e amedrontado: se sozinho, sem sua parte da laranja; se amando, sente insegurança e medo de perder sua parte da laranja! ou seja:de fato o sujeito ainda não encontrou nada, continuou no mesmo lugar de ''busca dor''...
RP: Amor e ciúme andam juntos?
JF: Sim, o amor nos coloca num lugar de inseguros, já que não queremos perder a quem amamos e temos a consciência de que não temos, efetivamente, como impedir que algum infortúnio nos "roube" este amor, por isso assistimos tantos parceiros "engordarem" o seu conjuge levando-lhe diariamente doces, frituras e, vemos tantos parceiros passarem "de repente" a interditar saídas a praias, boates , idas a casa de amigas(os), idas a jogos, assistimos famílias serem fragmentadas por que um parceiro impede a ida do outro até a casa de pais, ex-enteados etc
RP: Seria o ciúme sinal de baixa auto-estima?
JF: Penso que não, mesmo o sujeito que tem boa auto estima fica inseguro diante do fantasma de perder a quem ama, fazer análise -é também- uma boa decisão para quem ama , pois colaborará para que este ciúme, esta inseguança não se tranforme numa obssessão, numa insegurança patológica, em que se transforma alianças em algemas,em que se transforma a saúde de um encontro de amor, em um desencontro doentio, patológico. Não quero perder de vista o número de pessoas que fazem ou nunca fizeram análise, que amam e dizem "não ter ciúme",dizem "entender" a profissão do parceiro quando este é stripper, ator, modelo, surfista etc, devemos compreender que existem muitas possibilidades de relação no encontro dos seres humanos, mas me reporto aqui a um número grande de pessoas que de fato são bastante possessivos com quem ama,na maioria das vezs asfixiando e "matando" simbolicamente, e as vezes factualmente, seus parceiros.
RP: Quando o ciúme deixa de ser "normal" para se tornar patológico?
JF: Quando o sujeito (homem ou mulher) deixa de focar sua própria existência e condições importantes para bem administrar seu dia a dia e passa a viver com o pensamento "preso" no outro, deixando de cuidar de sua vida para vigiar o outro, ficar perseguido pelo fantasma de que será traido, jogando pegadinhas para o outro "cair", perceber que quando você precisa controlar o outro e sua agenda, as coisas estão complicando;o ciúme fica patológico quando a pessoa que ama passa a acreditar que não pode viver sem o outro, fazendo juras de suicídio "se voce morrer, eu me mato", pois esta jura rapidamente pode virar uam ameça de homicídio:"se voce me deixar, eu te mato"; o ciume fica patológico quando numa época como a que vivemos em que se estimula a individualidade, um sujeito começa a ditar regras de conduta para o outro:não beba, não saia, não use estas roupa,voce não vai para este ou aquele lugar sem mim etc
RP: É possível "tratar" o ciúme?
JF: Plenamente, a psicanálise não utiliza o termo cura, mas utiliza o termo tratamento, então há tratamento sim, e o sujeito tem que ter paciencia pois a insegurança que se instala por e pelo Outro, não acontece de um dia para o outro, então o tratamento não será em dias ou meses, trata-se de um tratamento em que o sujeito vai se rever, se reencontrar, pois deve ter se perdido de si, já que precisou colar no Outro para existir, então que o sujeito respire fundo, encha os pulmões de um bom ar, e vá procurar um psicanalista em quem ele possa confiar, transferir sentimentos e rever sua história para pelo menos uma vez por semana durante o tempo suficiente em que ele possa perceber que estar com ele, num ambiente "dele" , o ambiente analítico, aonde ele vai poder falar, ouvir o que diz e começar a se comprometer com o seu discurso e atos, construindo uma possibilidade de existir com o Outro e não pelo Outro.
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