....a propósito de uma entrevista que dei...digo que em breve colocarei no meu blog a entrevista. Enquanto isso faço meus comentários e colaborações.Gosto muito dessa frase para dar início ao assunto
''criança e suas necessidades'' e ''adulto e suas fragilidades como cuidador'', então sobre primeiro tema: ''criança e suas necessidades''. A criança é por natureza um ser que pertence a uma espécie extremamente complexa, com um funcionamento orgânico que delicia estudiosos da evolução, e exatamente por causa dessa complexidade e quase perfeição nas associações (rim,fígado, baço, coração, pâncreas...raciocínio, sensações...)é que essa mesma espécie demanda tantos cuidados para amadurecer e tornar-se um ser capaz de dar conta de sua sobrevivência. Ser capaz de dar conta de sua sobrevivência é um conceito tão difícil de afirmar que algumas leis já foram modificadas: 16 anos? 18 anos? nos rituais: 10 anos? 14 anos? mas vejam que podemos concordar que há uma concordância que deve ser por volta da segunda década de vida do sujeito. Então, 10 anos no mínimo são muitos anos!! Para que uma criança se veja minimamente numa condição de sobreviver...física e emocionalmente, e vamos lembrar que esses dois fatores é que compõe o ser humano, portanto uma criança precisará primeiro se dar conta que existe e podemos concordar que a partir de algum momento dentro da barriga da mãe, o bebê começa a perceber que EXISTE e sente, por isso penso que é fundamental que a mãe converse com seu bebê (ainda na barriga), que lhe passe sentimentos através de seu pensamento, que lhe convide para algum programa, como por exemplo ouvir musica. Ao nascer é importante que essa criança tenha contato com o corpo dos pais, ouça sua voz, esteja entre eles, adeque-se ao esquema de seus pais. Observo alguns pais, e principalmente mães querendo que o casal se adeque a criança, penso que o contrário deve acontecer. Há um mito de que a mãe TEM que amamentar e vejo que mães que não o fazem por motivos impeditivos como não ter leite, ter alguma inflamação no bico do seio...ficam muito mal e culpadas e passam a achar que ''devem '' ao bebê....penso que essas histórias devem ser deixadas de lado para que as mães vejam que a importância de amamentar seu bebê se dá pela FORMA como essa cena acontece. É importante que a mãe tenha paciência, converse com o bebê, ela , a mãe dê a mamadeira ao bebê, pois ELE saberá que a sua mãe está ali. É importante que o bebê seja acolhido e que uma informação seja passada. Percebo que algumas mães dão a comida para a criança com tranquilidadede, e ''de repente'' gritam para que elas arrotem, ou façam cocô...a impaciência é um mau aliado na criação de uma criança; outra coisa, é importante que as mães entendem que para além da genética, do anjinho que Deus lhes mandou etc, tem também o aprendizado de afetos e de comportamentos que esta criança apreenderá e repetirá em sociedade e em casa. Vejo pais que são rancorosos, alterados, nao estudam ou nao trabalham exigirem (numa projeção) de seus filhos qualidades que nunca lhes ensinaram...que sejam generosos, que sejam calmos, estudiosos, trabalhadores....e caso isso não aconteça, acusam Deus, como um castigo, esquecem que muito, muito mesmo do que é apresentado pelo sujeito, foi aprendido em casa. Então a exigência tem que começar por si, pelos pais, que mudem e ensinem o melhor para seus filhos, daí eles em adultos farão o que considerarem melhor. A criança é um ser aprendiz de emoções e comportamentos-morais, sociais, culturais-e como tal precisa de exemplos, de cuidados e o que vemos?as crianças na sua maioria apanham de seus pais,crescem acreditando que o maior tem que subjugar o menor.......continuarei escrevendo nos próximos dias....
''Não me cabe conceber nenhuma necessidade tão importante durante a infância de uma pessoa que a necessidade de sentir-se protegido por um cuidador''
Sigmund Freud
A ENTREVISTA
Por Jaqueline Ferreira
1 - Como agir quando a criança, nos primeiros dias de aula, reluta em ficar sozinha na escola, muitas vezes chorando e se negando a ficar sem a mãe?
''Eu diria que a mãe ou cuidador deve se programar para poder realizar junto com a equipe da Escola uma adaptação adequada,não podemos esquecer que toda mudança gera stress e este desencadeia fatores somáticos, a criança que não tiver uma boa adaptação escolar estará propensa a apresentar algum mal estar físico decorrente do desamparo vivido na porta ou dentro da escola,e este mal estar pode ficar recorrente, como por exemplo roer unhas, urinar na cama, ficar agressiva com os colegas, parar de comer, ficar agitada, amedrontada....essa é uma manifestação do stress, já vi crianças com má adaptação escolar abrir quadro de bronquite, doenças respiratórias, febres recorrentes, e na minha Clínica já ouvi relatos de adultos sobre abandonos sofrido quando criança, com a lembrança da mãe ou cuidador abandonando na porta da escola, pois o ‘’fantasma’’ está no pavor que este cuidador não retorno para apanha-la. Então eu recomendaria que a mãe ou cuidador organize-se para levar a criança e busca-la em horários certos, nada de ‘esquecer ‘’ do horário, pois este também é desencadeador de stress; os pais de todos os colegas foram apanha-los, menos o seu (?). Então organize-se para levar a criança na hora certa e busca-la na hora certa. Em caso de adaptação, manter rotina e horários certos são sempre bem vindos, já que a criança não gosta de ser diferente pela negativa, por exemplo chegar atrasado leva os colegas a olharem com reprovação. A entrada na Escola é um marco e como tal tem que ser bem administrado pelo responsável da criança, tenho escutado algumas mães dizerem que não levam suas crianças para comprarem o material escolar, assim faz uma super economia; penso que neste caso a criança deve participar, escolher algum material, ela deve ouvir as pessoas da casa narrarem suas próprias experiências sobre suas entradas nas escola, e deve saber como é uma Escola, para que serve e porque ela esta indo pra esta escola, porque esta escola foi escolhida para ela, essas são informações importantes, mesmo que cognitivamente a criança não entenda, ela o fará emocionalmente pois esse diálogo é uma forma de inclusão, inclusão para o lugar de sujeito-criança, que tem deveres como entrar na Escola sem que lhe tenham perguntado se queria e direitos, como o de ouvir o que estão organizando para a SUA vida. As professoras e diretoras da maioria das Escolas me parecem muito amorosas, e não pode ser diferente, pois elas sabem que se um responsável não conseguir fazer uma boa ‘’passagem’’ de casa para a escola , elas é que terão que fazer ou elas é que terão que encaminhar a criança pra psicopedagoga, ou medico. Diria que à Escola cabe ter uma ótima infraestrutura e professores bem formados, éticos que ofereça uma abordagem de recepção à criança adequada. Minha preocupação maior se dá com os pais, cada vez mais desorientados sobre como devem proceder, educar seus filhos, já que ouvem e lêem que se forem permissivos, amorosos demais , seus filhos serão ‘’malandros’’, ‘’não lhes amarão’’ ou coisa pior, por outro lado, serem autoritários ficou demodê, ouvir a criança é dar ‘’confiança’’, não ouvir ‘’é traumatizar’’, então o que fazer? Eu digo que os pais devem agir com bom senso, nem autoritários demais nem soltos demais, mas uma tentativa de ser moderados, dizer a sua criança , de preferência uma única vez, para que se tenha seriedade, sobre sua entrada na escola, leva-la a participar desta nova etapa de SUA vida, tirar uma única semana, que refere cinco dias para ajudar em sua adaptação....não é tão complicado assim e, que os pais ou cuidadores sejam coerentes e concordem entre si, não adianta uma mãe conversar com seu filho sobre sua entrada na escola e o pai dizer , na frente da criança, que isso é bobagem. Então bom senso e amor na direção de um pequeno que rapidinho será um adulto, é o que se espera dos pais, e que estes parem de ouvir opiniões díspares e heterogêneas, que só confunde, e elejam alguns pais que consideram que souberam passar uma boa referencia de amizade, lealdade, limite e amor aos seus filhos e mantenha-se firme nesse propósito que muitos problemas serão evitados, sendo assim uma mãe terá confiança em decidir se deixa seu filho na escola chorando ou se o leva de volta pra casa, naturalmente que esse período terá um limite e igualmente somente o cuidador poderá administrar esse pode/não pode. Sempre lembrando que para uma criança bem alimentada e com bons pais, chorar pode não ser tão sintomático assim, pode ser apenas manha, charme....''
2 - E, em outro caso, quando a licença-maternidade acaba e a mãe volta a trabalhar?
''Muitas crianças estranham quando ficam em creches, sem a mãe e sem poder mamar, tendo que usar mamadeira. É algo que tem que ser resolvido em conjunto mãe-creche?
Eu diria que a mãe deve fazer esse desmame em casa, algumas mães ficam com pena e desmamam a criança no início da creche, fator stressante pra criança, já que se recomeça uma nova rotina. Eu diria que a mãe deve começar a desmamar a criança um mês antes de voltar a trabalhar e nesse período inserir a criança na creche , assim poderá dar toda a assistência caso ocorra alguma variável como a criança se mostrar febril, fenômeno somático muito comum em crianças de creche, ou diarréia, ou vômito. E a criança ‘’perceberá’’ que durante a mudança sua mãe estará por perto, nesse momento transformador de sua rotina, já que seu berço mudará , seu cuidador será outro, ao menos durante algumas horas do dia, o cheiro, a luz, a água, tudo ao redor mudará e suas percepções capturarão essas mudanças e por este motivo a criança reage! É importante a criança saber que nessa estranheza sua mãe ou cuidador estará por perto, ela registrará esse fato e será muito provável que construa um mundo interno de mais confiança, podendo assim se transformar num adulto menos inseguro. Também oriento que se converse com a criança/bebê, considero a troca de diálogo entre pais e bebê fundamental para seu crescimento, alguns adultos consideram bobagem, acreditam que a o bebê não entende o que está sendo dito, realmente não entende a língua, mas entende a intenção, e será essa que alimentará suas percepções, suas intuições, sua construção nas relações futuras. A mãe ou cuidador , ao inserir a criança numa creche não deve deixar de verificar notas de limpeza de caixa d’agua, notas de trocas de filtros d’agua e formação dos cuidadores; também é importante que algum brinquedo, travesseiro ou fralda usada na casa da criança seja levada para a creche diariamente, esses objetos não devem ser lavados, para que o cheiro da casa da criança fique ali impregnado e ela possa reconhecer. As mães não devem comprar novas chupetas, novas mamadeiras, pois isso será um fator de aumento de stress infantil, já que o recurso utilizado pelo bebê se dá pelos sentidos, entendendo que seu aparelho cognitivo ainda está em formação e ele não o usa para se organizar emocionalmente, o que é usado é o CONHECIDO: brinquedinho (antigo)chupeta (velha)fraldinha(babada), roupinha conhecida. Sugiro que os objetos novos sejam usados para sair com os pais, pois perdido o CONHECIDO no olfato, a criança terá amparo ao sentir o cheiro dos pais, ao vê-los...qualquer dúvida acesse meu blog, aonde deixarei maiores informações aos pais sobre bebês e adolescentes.''
Entrevistada: Jaqueline Ferreira
Jornalista: Fernando Damasceno
tentarei escrever no domingo....já que Bauman e seus líquidos me 'amarraram''....
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